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‘Querem uma carnificina’, diz Nunes sobre Justiça liberar Uber a operar mototáxi em São Paulo

Publicada em: 22/07/2026 14:44 -

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) criticou a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou que a prefeitura autorize a Uber a operar o serviço de transporte por motocicletas. “Querem uma carnificina”, disse à reportagem do JBR, na manhã desta quarta-feira (22).

A gestão municipal tem prazo de 48 horas para cumprir a ordem, sob pena de multa diária de R$ 5.000. Cabe recurso da decisão. Nunes disse que a administração municipal ainda não foi notificada, mas vai recorrer da decisão.

A cidade registrou 475 mortes de motociclistas em 2025, segundo dados do Infosiga. No primeiro semestre deste ano foram 238 mortes de condutores de moto. O prefeito ressaltou que mais da metade das vítimas de acidentes de trânsito atendidos nas unidades da Rede Lucy Montoro da capital paulista estavam em motocicletas. Destes, 58% ficaram paraplégicos e 20% sofreram amputações, disse o prefeito.

“Não estão satisfeitos com esses dados trágicos, querem que morram mais, que fiquem mais paraplégicos, que mais sejam amputados”, disse Nunes. Procurada por email na manhã desta quarta, a Uber não se manifestou até o momento.

A decisão da juíza Patrícia Persicano Pires, da 16ª Vara da Fazenda Pública, é mais um capítulo na briga judicial entre o prefeito e as empresas de aplicativos que querem oferecer a modalidade de mototáxi.

A juíza ainda rejeitou os argumentos da gestão municipal para barrar o serviço. Na semana passada, o Comitê Municipal de Uso do Viário indeferiu o pedido de credenciamento com a justificativa de falta de uma assinatura na documentação de seguro de acidentes pessoais.

A juíza aceitou o recurso da empresa e entendeu que esse ponto já havia sido cumprido anteriormente.

As plataformas de aplicativos argumentam que a autorização para o serviço se baseia em norma federal. Já a gestão Nunes diz que a modalidade de mototáxi oferece muitos riscos à segurança dos passageiros.

A magistrada classificou a falta de autorização como desrespeito ao cumprimento de ordens judiciais anteriores que liberavam o serviço.

FÁBIO PESCARINI E FRANCISCO LIMA NETO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

 

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